IoT é segmento promissor no meio rural


Via: brasilagro

O desafio do agronegócio é produzir mais com menos recursos e de maneira sustentável para alimentar a população global que atingirá 8,6 bilhões de pessoas em 2030, segundo previsão da a Organização das Nações Unidas (ONU). A internet das coisas (IoT) é parte importante na resposta a esse desafio.

A IoT vai revolucionar o setor, de acordo com 76% das empresas de tecnologia voltadas para a agricultura (agritechs) de grande porte ouvidas em uma pesquisa global da Inmarsat, que fornece conectividade via satélite. O estudo também mostra que 5% dos orçamentos de TI dessas empresas destinam-se a IoT, uma taxa que deverá mais do que dobrar até 2022, para 12%.

No Brasil, a agricultura é prioridade no Plano Nacional de IoT, lançado pelo governo com o objetivo de difundir o uso da tecnologia em cinco anos. As metas incluem aumentar a relevância do Brasil no comércio mundial de produtos agroindustriais e tornar o país o maior exportador de soluções de IoT para a agropecuária tropical.

A IoT é um dos pilares para a chamada agricultura 4.0, que é o estágio em que o uso de sensores, câmeras, tecnologias inteligentes e conectividade permite que produtores monitorem, em tempo real, diversos processos no campo, desde o desenvolvimento de culturas ao desempenho de máquinas. Silvia Massruhá, chefe-geral da Embrapa Informática Agropecuária, diz que a solidez do agronegócio local favorece a tendência, mas o país terá de superar os desafios relacionados com capacitação, regulação, definição de padrões e segurança da informação.

“A IoT na agricultura está em estágio incipiente, mas é grande o potencial de realização de negócios, redução de custos e aumento de produtividade”, diz Silvia. A seu favor, o Brasil conta com um ecossistema significativo formado por instituições de pesquisa e universidades. “Também há grandes multinacionais de tecnologia e empresas do agro entrando nessa área de agricultura digital, e o segmento de startups agrícolas mostra potencial de crescimento de 70% ao ano”, afirma Silvia.

O empreendedorismo, no entanto, está concentrado regionalmente. Censo feito no ano passado pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), junto com a aceleradora AgTech Garage, revela que mais de 90% das agritechs estão nas regiões Sudeste e Sul. O censo mapeou 76 empresas, mas no banco de dados da Associação Brasileira de Startups (ABStartups) elas já chegam a cem – número que pode ser ainda maior, segundo especialistas.

O engenheiro agrônomo Sergio Marcus Barbosa, gerente-executivo da incubadora da Esalq/USP (Esalqtec), ressalta o papel das incubadoras e aceleradoras para promover uma mudança na atitude reticente dos empreendedores. “Toda startup tem de nascer preparada para unir competências com as de outras, integrando uma grande plataforma de soluções tecnológicas. Mas muitas resistem por receio de que suas ideias sejam roubadas”, afirma Barbosa.

De acordo com ele, o Brasil atingiu um estágio de alto nível com relação à geração de big data de agronomia tropical, mas precisa avançar em outras áreas como produção de sensores específicos para IoT e conectividade. “Este é o grande gargalo para a digitalização da agricultura”, afirma. Por outro lado, ele confia que soluções alternativas – como a implantada pelo CPqD em usina do grupo sucroalcooleiro São Martinho, em Pradópolis (SP) -, ficarão acessíveis na medida em que ganham escala.

A solução do CPqD consiste de rede móvel de quarta geração (4G) baseada na tecnologia LTE, nos moldes das redes de operadoras, com banda larga para tráfego de dados, vídeos, telemetria e voz. O diferencial, segundo Rafael Moreno, gerente de tecnologias sem fio do CPqD, é o uso de faixa de frequência designada como serviço limitado privado (SLP), ou seja, para comunicação e processos internos de empresas. “É a solução mais adequada por ser multisserviço”, afirma Moreno.

A infraestrutura inclui estações radiobase em torres na fazenda e terminais inteligentes veiculares instalados em máquinas como tratores, colhedoras e caminhões. Equipados com vários protocolos de comunicação sem fio, os terminais leem dados de sensores, como temperatura do motor e pressão do óleo, e os enviam para plataforma de IoT de código aberto do CPqD.

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