2016 foi “espetacular” para as startups do agronegócio


Em dezembro último foi divulgado no Brasil o 1° Censo AgTech Startups. Iniciativa da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-USP) em parceria com o AgTech Garage, o levantamento teve por objetivo fazer um mapeamento inédito sobre o setor de tecnologia para o agronegócio no país.

Ao todo, responderam à pesquisa, que ficou online por quatro meses, 75 empresas de Norte a Sul do Brasil. Desse total, 26% nasceram em 2014, 30% em 2015 e 24% em 2016. Para Sergio Marcus Barbosa, gerente executivo da incubadora EsalqTec, o ano que passou trouxe muitas oportunidades para o setor: “2016 foi um ano espetacular para as startups do agro e eu acredito que em 2017 vamos ter um afunilamento disso”, afirmou.

Os setores que mais cresceram e chamam a atenção, na opinião dele, são a Agricultura Digital (que inclui agricultura de precisão, tecnologias embarcadas, “internet das coisas”, softwares, etc) com o foco para a gestão pecuária e Soluções Biológicas (biotecnologia, controle biológico, entre outros), tanto com o oferecimento de produtos como de serviços. “Hoje a palavra de ordem é sustentabilidade e essas empresas têm surgido com o objetivo de permitir que o produtor produza mais com menos; isto é, com menos terras, menos água, menores emissões”, diz.

De acordo com o Censo AgTech Startups, 16% dos entrevistados trabalha com proteção de cultivos, 12% com segurança alimentar e rastreabilidade e 10,7% com irrigação e tecnologias ligadas ao consumo de água. No caso das startups de pecuária, a percepção de Barbosa é de que também se abriu um vasto campo para desenvolver soluções que melhorem a comunicação entre produtores, seja de corte ou leite, e a indústria. “O que falta nesse setor é estreitar os laços da cadeia, fazer com que o pecuarista, que é o elo mais fraco, seja melhor remunerado pelas práticas que adota”, afirma.

Nesse clima de inovação, gigantes do setor responderam demonstrando interesse em fazer investimentos nas startups; universidades se abriram a parcerias público-privadas e de estímulo ao empreendedorismo; o governo continuou dando apoio a projetos de pesquisa que poderiam se tornar futuros negócios.

Especificamente em outubro de 2016, Barbosa destaca a criação do AgriHub, lançado pela Federação de Agricultura de Mato Grosso, Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) e Serviço Nacional de Educação Rural (Senar-MT). A ideia do programa é aproximar produtores e empreendedores para que sejam oferecidas ferramentas mais baratas e que solucionem problemas do campo. “Essa é uma iniciativa exemplar, que vai permitir dar sequência a projetos com viabilidade econômica e técnica”, diz Barbosa.

Desafios para 2017 – Após o boom de startups do agro nos últimos três anos, a expectativa de Barbosa é de que em 2017 se firmem aquelas com tecnologias economicamente viáveis e que cheguem ao mercado não só com um produto, mas com parcerias.

Para ele, não só a conexão com produtor e empresas do setor fará a diferença, como também a conexão entre startups. “Nesse sentido, o empreendedor precisa ter a cabeça aberta, ir a eventos, conversar com outras pessoas e perceber que existem soluções complementares à dele”, diz o gerente da EsalqTec. Em um país de dimensões continentais como o Brasil, que conta com seis biomas, ele acredita que haja mais espaço para integração do que competição.

Confira alguns dos dados do 1° Censo AgTech Startups:
foto reprodução

Portal DBO

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