7° Agtech Day

Foto: Lucas Jorge/ Pecege


Startups compartilham desafios, oportunidades e inovações para a biotecnologia
Em evento no Parque Tecnológico, empresas de tecnologia e incubadoras discutiram o futuro da biotech em formato de palestras e debates.

VIA: Assessoria PECEGE

Os participantes da 7ª edição do AgTech Day tiveram a oportunidade de conhecer e debater sobre os produtos, tecnologias e inovações relacionadas à biotecnologia. O evento, que ocorreu na última quinta-feira (27), apresentou os benefícios da biotech para diversas áreas, como saúde, meio ambiente, agricultura, infraestrutura entre outros.

A biotecnologia surge com o objetivo de inovar e contribuir para tornar mais eficiente a forma como vivemos, combatendo doenças, gerando energia mais limpa, reduzindo impactos ambientais e oferecendo alternativas mais seguras, limpas e eficientes em produções.

Voltado principalmente para atuantes de agtechs, o evento contou com exposições e debates que colocaram em pauta alguns dos desafios que circulam as empresas de biotecnologia, principalmente startups.

O AgTech Day é organizado pelo Pecege e pela Esalqtec, incubadora de empresas da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP). Criado em 2016, logo após a campanha do AgTech Valley, o AgTech Day surgiu como proposta de reunião do movimento do Vale do Piracicaba.

“Nós pensamos em fazer um happy hour com conteúdo. Após seis edições o evento cresceu e se tornou um grande encontro de informações e experiências”, explicou o gerente executivo da EsalqTec, Sergio Barbosa.

Para dar boas-vindas aos participantes, os organizadores demonstraram o atual quadro de empresas de tecnologia no Brasil. Grande parte da inovação vem, principalmente, de startups e novos empreendedores.

“Uma em cada quatro startups no Brasil morre no primeiro ano de vida, mas, em contrapartida, o mercado brasileiro dobrou nos últimos seis anos. O Brasil é um grande empreendedor”, comentou Joaquim Cunha, cofundador diretor da WBGI e integrante da aceleradora Pecege Go.

“Percebemos que a efetividade ou sucesso das boas ideias deveria acontecer. Quando falamos de sucesso de startups, percebemos que ideias não são descartáveis. Elas precisam ser trabalhadas para surgir um bom negócio”, completou.

O evento reuniu mais de 350 participantes. A entrada solidária de alimentos não perecíveis arrecadou 306 KG de mantimentos, destinados ao Programa Banco de Alimentos da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (Semdes), em parceria com o Fundo Social de Solidariedade de Piracicaba (Fussp).

Palestras
Futuro do Cultivo

Abordado ainda na introdução do AgTech Day, o controle de pragas mostrou grandes adaptações às novidades biotecnológicas. Nos processos para a produção agrícola, a principal ferramenta de manejo integrado de pragas, no país e no mundo, ainda é o controle químico.

Segundo Marcelo Poletti, da Associação Brasileira das Empresas de Controle Biológico (ABCBio), existem problemas associados ao produto químico que reserva flexibilidade parar novas alternativas, principalmente quando o problema é relativo à resistência de pragas e presença de resíduos químicos pós-produção.

“À medida que a molécula química para de ser utilizada, temos um intervalo mínimo com reestabelecimento da atividade da praga. Assim, essa pausa possibilita o uso do químico novamente. O biodefensivo pode entrar na pausa para diminuir o problema de resistência e, se o produto for seletivo ao agente biológico, pode ser utilizado em conjunto com o controle habitual”, explicou Poletti.

Ele acrescentou que existem vários programas mensurados pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) que mostram a eficácia econômica e impactos no custo de produção, que pode diminuir de 30 a 40% com o uso do controle biológico. Um exemplo muito clássico do uso de defensivos biológicos está na cotesia, uma vespa responsável pelo controle da broca da cana-de-açúcar.

“Alguns agentes biológicos se estabelecem no cultivo. Se você faz uma ou duas liberações com o químico, a praga já começa a ficar muito resistente e exige mais aplicações. A aplicação dos biológicos é menor em quantidade e tempo comparada aos químicos”, comentou. Outro benefício apontado por Poletti acerca do controle biológico é o uso dispensado de equipamentos de proteção individual (EPIs).

Ao se pensar na intensidade, o uso do controle biológico já está mudando o cenário de defensivos agrícolas, obtendo um faturamento de 474 milhões somente em 2018, um aumento de 77% em relação ao ano anterior, que fechou com 260 milhões.

Recentemente o Ministério da Agricultura publicou um quadro mostrando a evolução de empresas que entraram para o controle biológico de pragas. “Observamos um crescimento exponencial, principalmente de empresas com produtos registrados’, contou o palestrante.

A ABCBio junto com a FMC Agrícola realizou uma pesquisa para descobrir a percepção sobre o uso de biodefensivos. Em 2018, de 1900 agricultores, 683 utilizavam biológicos e 80% dos produtos eram aplicados em cultivo de soja, cana e café. Os entrevistados demonstraram 98% de satisfação e 76% foi a taxa de eficiência dos produtos aplicados.

Fauna em Foco

Ainda com o objetivo de aproximar o empresarial com o campo das pesquisas, os participantes conheceram o projeto de consultoria ambiental da startup Via Fauna. Fundada em 2014 pela bióloga Fernanda Abra e pela gestora ambiental Paula Ribeiro, a empresa é especializada em serviços especializados para proteção da fauna e meio ambiente.

Sendo o país mais biodiverso do mundo, com 20% de todas as espécies do planeta distribuídas em seis biomas terrestres, o Brasil apresenta qualidades inestimáveis para a continuação de várias espécies. Entretanto, devido à malha rodoviária de 1,7 milhão de km, maior do mundo, muitos estão envolvidos em conflitos de tráfico rodoviário, como colisão e os atropelamentos.

“Nesses acidentes obtemos perdas diretas e indiretas. Quando se atropela um animal na rodovia temos dois envolvidos: o atropelado e o atropelador. Da colisão temos três custos, sendo o primeiro biológico. Por ano, a expectativa é que morram 39 mil mamíferos silvestres em apenas um estado brasileiro”, explicou Fernanda.

A bióloga lembrou que a outra parcela de custo é o humano. Dados atuais coletados entre 2003 e 2013 pela Polícia Militar rodoviária do Estado de São Paulo mostraram um registo de 28 mil acidentes. Por ano são geradas dessas colisões 530 vítimas leves, 120 vítimas graves e 20 fatais.

“Pela primeira vez no Brasil conseguimos mensurar o quanto custa para a sociedade atender a esses acidentes que envolvem animais em rodovias”, disse. Na estimativa, um animal menor, como uma capivara, pode custar 12 mil reais. Para animais maiores, o custo pode ser ainda mais elevado.
“Dos nossos resultados, por ano, os custos para a sociedade paulista de todas essas colisões são cerca de 56 milhões de reais. Para cada colisão, tendo vítima fatal ou não, isso representa uma média de cerca de 21 mil reais”, ressaltou Fernanda.

Para mitigar esses números, um trabalho de estudo e desenvolvimento de serviços para rodovias realizado pela Via Fauna identifica pontos críticos de atropelamentos de fauna.

A partir disso é feita uma recomendação das medidas mitigadoras e elaboração de planos de gerenciamento de risco apoiados na biotecnologia, os quais envolvem estudos da paisagem, mapeamento de risco, consultoria sobre parcerias, treinamentos, palestras e acompanhamento dos resultados.

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