Membro do Conselho Deliberativo da ESALQTec, Evaristo Marzabal Neves, fala sobre os 10 anos da Incubadora em entrevista

Professor Dr. Evaristo Marzabal Neves, membro do Conselho Deliberativo da ESALQTec – FOTO: Divulgação

Em comemoração aos 10 anosa da ESALQTec Incubadora Tecnológica, entrevistamos o professor doutor Evaristo Marzabal Neves, docente sênior do Departamento de Economia, Administração e Sociologia da ESALQ/USP (Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiróz”/Universidade de São Paulo) e membro da Conselho Deliberativo da ESALQTec. Confira a entrevista na íntegra:

Repórter ESALQTec: Professor, qual a importância desta marca (10 anos) atingida pela entidade?

Evaristo Neves: É de suma importância não somente dentro da comunidade do Campus como estadual e nacional. De um inicio modesto, a Incubadora nasce na gestão do Professor João Lucio (idos de 1994) quando se instalou em sala no Prédio Central da ESALQ. Posteriormente, em nossa gestão (01/1995 a 01/1999), transferimos para instalações na Fazenda Areão, com mais espaços fisicos para admissão de empresas iniciantes. Foi num crescente quando ganha status com uma evolutiva demanda se transformando na ESALQTec, uma empresa incubadora em tecnologia e inovação que comemora seus 10 anos com esta grife. Hoje, nos sentimos orgulhosos pois seus frutos se espalham por diversas regiões.

RE: De que maneira projetos como da ESALTec podem ser relevantes à sociedade?

EN: Para esta questão me apoio na linha do tempo do mundo em que vivemos. Com a globalização e formação de blocos econômicos na segunda metade do século passado, principalmente a partir dos anos 80, criou-se um mercado mundial e, consequentemente, uma forte interdependência entre os países. Com o advento da tecnologia da informação atuando em todos os processos produtivos e administrativos facilitou a tomada de decisão e disseminação rápida da informação e comunicação provocando a diminuição do tamanho das organizações (downsizing).
Estes eventos levaram a valorização da administração empreendedora num universo que “não dorme”. A redução das organizações eleva o desemprego e cria estímulos à força trabalhadora a tornar-se seu próprio patrão, um empreendedor. Neste embalo e ajustes a este mundo moderno, a ESALQTec pode ser uma célula na geração e operacionalização de projetos de enorme relevância e de significativa utilidade para a sociedade brasileira.

RE: Na sua visão quais os principais desafios a ser enfrentado pela incubadora nos próximos anos para continuar crescendo?

EN: Para esta questão me apoio no articulista Clovis Rossi (Folha de São Paulo, 19/01/2016, p. A13), na reportagem “Tecnologia deve cortar 5,1 milhões de empregos”, que participou do Fórum Econômico Mundial (Davos, semana de 18 a 23/01). Numa síntese, pinçou algumas informações da pesquisa “O Futuro do Trabalho”, publicado no referido Fórum e o impacto do livro “Quarta Revolução Industrial”, recém-lançado de autoria do suíço Klaus Schwab, criador do Fórum. Transcrevendo: “A crescente automação e outros avanços tecnológicos já em andamento deceparão algo em torno de 7,1 milhões de empregos nos próximos cinco anos, numero que não será nem remotamente compensado pela criação de dois milhões de postos de trabalho”.
O levantamento foi feito em 15 países, Brasil inclusive, que concentram 65% da força mundial do trabalho. A Quarta Revolução industrial, que inclui desenvolvimento em campos antes desconectados como inteligência artificial, robótica, nanotecnologia, impressoras 3D, genética e biotecnologia, causará disseminada perturbação não só para os modelos de negócios, mas também para o mercado de trabalho nos próximos cinco anos”.

Dentro deste cenário crescem os desafios que se apresentam para a incubadora nos próximos anos e, principalmente para a formação de nossos alunos que se interessarão em desenvolver seus projetos na ESALQTec. Tenho dado ênfase nas aulas iniciais aos ingressantes do curso de Engenharia Agronômica que a ESALQ passou por mudanças profundas na formação do Engenheiro Agrônomo. Na linha do tempo, trazendo a lembrança de minha geração (formados em meados dos anos 60) nossa formação se caracterizava pelo “servidor provinciano”, pois o grande empregador era o governo. Em São Paulo, de um modo geral, caso gostasse da assistência técnica e da extensão se dirigia principalmente às Casas da Lavoura da Secretaria da Agricultura, Cooperativas, Associações ou Assessoria às fazendas. Caso o interesse fosse a pesquisa e o ensino se dirigia as faculdades, ao Instituto Agronômico, Instituto Biológico, de Zootecnia e outros institutos estaduais ou nacionais ou nas recém criadas (segunda metade dos anos 60) faculdades de agronomia em Jaboticabal e Botucatu.

Em fins dos anos 60 e inicio dos 70 com os estímulos e incentivos de politicas governamentais, entre elas, os subsídios ao uso de insumos modernos e de credito rural, abriu-se espaço para o mercado de trabalho em multinacionais e empresas nacionais nos setores de fertilizantes, defensivos, maquina agrícolas, sementes, etc. E em bancos, entre outros agentes econômicos voltados à economia agrícola.
Hoje nossa preocupação passa pela formação do engenheiro agrônomo “empreendedor cosmopolita”, um profissional voltado para o mundo e também para a iniciativa privada (com ênfase nas áreas agrária, ambiental e social aplicada) e para o empreendedorismo criando seus próprios negócios (patrão de si mesmo). E a ESALQTec poderá ter um papel importante nesta formação do aluno ou do egresso da ESALQ.

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