Mercado busca estratégias para combater a mosca-dos-estábulos


O Brasil está longe de fechar o cerco no combate à mosca-dos-estábulos. Mas, desde que se tornou um problema, com o fim das queimadas nas lavouras de cana e a proliferação junto à vinhaça, a praga tem chamado a atenção de pesquisadores e empresas. O objetivo comum é encontrar soluções que minimizem o prejuízo causado a fazendas de corte e leite, onde as fêmeas chegam a abortar, tamanho o estresse, e o rebanho perde peso e diminui a produção de carne e leite.

De olho nesse problema, a Colly Química, empresa associada à incubadora EsalqTec, também planeja dar a sua contribuição.

Há mais de 15 anos no mercado de controle de pragas urbanas, a Colly Química, do interior de São Paulo, foi a ganhadora da etapa municipal de Piracicaba, SP, do desafio Ideas For Milk, promovido pela Embrapa, com um projeto focado no combate à mosca-dos-estábulos.

A estratégia de controle cria em torno das instalações uma verdadeira fortaleza. Alexandre Andrade, diretor comercial da Colly, afirma que a ideia é adaptar aquilo que já se faz para controle da mosca doméstica e atender às especificidades do novo alvo. “Hoje nos frigoríficos, por exemplo, a gente adota uma barreira fitossanitária usando na parte externa armadilhas que contêm um atrativo para os insetos a cada dez metros e, no interior da indústria, armadilhas adesivas acionadas pela luz ambiente”, diz.

Ferramentas de controle – No caso da mosca-dos-estábulos, pode ser que o espaçamento ideal do lado de fora das instalações mude, assim como o atrativo líquido para barrar os insetos que tentem se aproximar das instalações. “Mas o princípio é o mesmo”, afirma Andrade. Falando da armadilha interna, ele explica que ela nada mais é do que um suporte com material colante, que sob a luz do sol ganha tons de azul. “Isso a torna um atrativo visual para as moscas que ultrapassarem a barreira sanitária”, diz. Além das armadilhas, a Colly pretende lançar um aplicativo que permita monitorar as infestações.

“Essas armadilhas internas serão específicas para serem fotografadas e, a partir do número de moscas capturadas, o app irá informar o produtor sobre o nível de dano na propriedade”. A informação será cruzada com dados de temperatura e umidade do local onde a fazenda está e alertas das usinas, em relação à aplicação da vinhaça – o que pode ajudar a prever um surto.

Porém, mais do que ser usado no momento crítico, o objetivo do aplicativo é dar instruções para o produtor sobre como realizar o manejo integrado de pragas da mosca. “Então, se o inseto não tá causando prejuízo, sugerir a adoção de boas práticas. Ou, se já atingiu nível de dano econômico, indicar que ações precisam ser tomadas”, afirma Andrade. No primeiro caso a recomendação pode ser por fazer uma limpeza nas instalações, retirando o acúmulo de matéria orgânica, enquanto no segundo pode tender para uma aplicação de produto químico nos animais ou no solo.

De acordo com Andrade, a expectativa é que a solução completa chegue ao mercado no último trimestre de 2017 a um preço acessível para o produtor. “No momento, estamos buscando investimento para acelerar o projeto e sabemos que será importante também firmar parcerias; tanto com usinas como para testar a solução junto aos produtores”, completa.

Portal DBO / Colly Química

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