TECNOLOGIA DEVERÁ FAVORECER AUMENTO DE ÁREA DE AGRICULTURA IRRIGADA


VIA: TELE SÍNTESE

Para especialistas, nos últimos anos vem crescendo a demanda por soluções inteligentes que têm reflexos em produtividade e sustentabilidade.

O Brasil conta, atualmente, com 8,2 milhões de hectares equipados para a irrigação na agricultura. Os dados do ATLAS Irrigação da ANA (Associação Nacional das Águas e Saneamento Básico) mostram que até 22% da área agropecuária atual no país poderia ser irrigada, ou seja, mais 55 milhões de hectares. Esses número não indicam apenas o potencial de expansão para os negócios tradicionais nesse segmento, mas também chamam a atenção dos que investem em irrigação inteligente, uma área cuja demanda tem aumentado nos últimos anos. O tema foi discutido no primeiro dia do AGROtic 2021.

A perspectiva de aumentar a área de irrigação na agricultura está relacionada a vantagens que essa prática possui sobre o sistema sequeiro (sem irrigação), aumentando de duas a três vezes a produtividade e ainda proporcionando melhoria da qualidade, diminuição do impacto da variabilidade climática, otimização de insumos, equipamentos e recursos naturais. Mas com a irrigação de precisão, com recursos como IoT e futuramente machine learning e sistemas analíticos, o ganho com a economia de água poderá seduzir novos investidores nessas tecnologias no meio rural e ainda ganhar pontos no avanço da sustentabilidade no setor.


Leandro Fellet, co-fundador e CEO da Agromakers


Novos projetos que envolvem a irrigação inteligente já estão disponíveis. Leandro Fellet, co-fundador e CEO da Agromakers, explica que a solução da empresa tem como base a leitura de sensores de umidade do solo, com integração dos algoritmos que levam em conta também a fase de desenvolvimento da planta, condições ambientais e outros dados que possibilitam ao produtor a tomada de decisões. “Hoje tudo nas fazendas têm metas, menos o desenvolvimento das plantas”, ressaltou.

Com essa tecnologia, a startup oferece ao produtor um sistema de gestão da irrigação na lavoura. A gestão também está na preocupação, e oferta de soluções, da Valmont, tradicional fornecedora de sistemas de irrigação. Vinicius Maia, gerente de vendas de tecnologia, lembra que por muito tempo a companhia era conhecida como uma empresa de hardware, pioneira na entrega de pivôs para o campo. Mas agora tem a tecnologia como ponto central, com desenvolvimento de software, instalação de sensores nos equipamentos e contribuição de plataformas como machine learning e analíticos.


Vinicius Maia, gerente de vendas de tecnologia da Valmont


Atualmente a empresa tem soluções com hardware e software e testa equipamentos que utilizarão machine learning e pequenos algoritmos para a irrigação de precisão e adaptados ás soluções de IoT. Na sua avaliação, o mercado brasileiro conta com produtores que têm uma mentalidade mais aberta a essas inovações. “Perto de nossa fábrica em Virginia, nos Estados Unidos, onde desenvolvemos soluções, a maioria dos fazendeiros utiliza apenas o nosso hardware para irrigação”, comentou.

A Internet das Coisas está no coração do projeto Swamp (Smart Water Managment Plataform) , uma pesquisa internacional financiada pela União Europeia e governo brasileiro que teve início em 2018 e está próxima a seu final. Na avaliação de Carlos Alberto Kamienski, professor da Universidade Federal do ABC e coordenador do projeto no Brasil, a irrigação inteligente tem o desafio de equilibrar as necessidades de alimentar mais de 7 bilhões de pessoas no mundo e a de garantir um planeta mais sustentável para as próximas gerações.

“Para isso, é preciso fazer escolhas inteligentes”, adverte. O projeto Swamp tem como proposta desenvolver uma plataforma de IoT que possa ajudar na redução do consumo de água nas atividades agrícolas. Para isso, está aperfeiçoando os sistemas de gerenciamento que captura os dados do campo, arquiva as informações na nuvem e analisa e disseca essas informações de forma automática.


Carlos Alberto Kamienski, professor da Universidade Federal do ABC


Kamienski lembra que há seis níveis para atingir a total inteligência da irrigação no campo. Nessa escala, considera que o Brasil está atualmente na fase três, passando para a quatro. “Há a motivação mas para chegar até o final há um grande processo tecnológico que envolve vários fatores como conectividade, sensores, mais automação”, analisou. Na avaliação de Fellet, da Agromakers, e Maia, da Valmont, o interesse por essa área vem crescendo bastante nos últimos dois anos.

Os três especialistas foram os convidados para debaterem o tema durante o AGROtic 2021, que se iniciou no dia 03 e se estende até o dia 06. Ele é organizado pelo Telesíntese em parceria com a ESALQtec. A mediação do painel foi feita por Renato Silva, presidente da Câmara Brasileira de Irrigação da Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos).

Inscrições ainda podem ser feitas aqui

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